Celso Amorim afirmou à Folha que Trump deve respeitar o resultado do 2º turno mesmo com vitória de Lula, apesar de preferir Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o republicano não vai "reconhecer com entusiasmo", mas vai acatar o resultado.
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, disse à Folha de S.Paulo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve respeitar o resultado do segundo turno das eleições brasileiras, mesmo em caso de vitória de Lula (PT) no domingo (25). Segundo ele, Trump não deve comemorar um eventual triunfo petista, mas vai acatar o resultado na prática: "Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai saír correndo para reconhecer", afirmou.
Amorim fez uma distinção entre a preferência pessoal de Trump por Flávio Bolsonaro (PL) e o reconhecimento do vencedor das urnas. Para o assessor, o republicano pode preferir um candidato, mas "respeita o presidente Lula" — e teria, inclusive, desejado boa sorte ao petista em uma ligação telefônica recente. Já o Departamento de Estado americano, em carta enviada a parlamentares democratas no dia 15, defendeu eleições livres e justas no Brasil, mas evitou se comprometer expressamente a reconhecer o resultado, como pediam os congressistas.
O assessor também comentou mensagens internas da Meta, reveladas pela Folha, que mostraram falhas na distribuição de conteúdo político durante a campanha — episódio que motivou uma ação da campanha de Lula e levou o TSE a cobrar explicações das plataformas. Amorim classificou o caso como causador de "danos irreparáveis". Ele ainda considerou arriscada uma eventual adesão do Brasil ao chamado Escudo das Américas, coalizão de segurança contra o narcotráfico lançada por Trump em março e já endossada por Flávio, citando ações da coalizão no Caribe como exemplo do tipo de risco que o país deveria evitar.
Por fim, Amorim classificou como "terrível" a promessa de Eduardo Bolsonaro de fazer uma "faxina" no Itamaraty em caso de vitória da oposição, embora tenha dito não acreditar nesse cenário, já que considera que Flávio não deve vencer a eleição.