Estudo do MapBiomas mostra que a área de agropecuária no bioma cresceu 110% em 41 anos, ocupando quase metade do território em 2025. Alto Tocantins e Araguaia concentram as maiores perdas de vegetação ripária.
Um estudo do MapBiomas revela que o Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em faixas de até 500 metros de rios e cursos d'água entre 1985 e 2025 — o equivalente a cerca de 26,9% de toda a perda de vegetação registrada no bioma no período.
Segundo o levantamento, pastagens e agricultura já ocupam juntas 18,2% dessa faixa ripária, área considerada essencial para a proteção dos recursos hídricos. Ainda restam 36,5 milhões de hectares de vegetação nativa nessas margens, cerca de 36,7% do total remanescente no bioma.
As bacias do Alto Tocantins e do Araguaia concentram as maiores perdas, respondendo juntas por cerca de 41% da redução de vegetação ripária no período. A bacia do Médio São Francisco também registrou perdas expressivas.
No cômputo geral, o Cerrado — segundo maior bioma do país, com 200,4 milhões de hectares — teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985, com a vegetação savânica como a mais atingida. A expansão da agropecuária é apontada como o principal motor dessa transformação: a área ocupada pelo setor saltou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares em quatro décadas, um crescimento de 110%, chegando a cobrir 48,9% de todo o bioma em 2025. Só a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares no último ano da série, e o Cerrado já concentra 49,2% de toda a área de soja cultivada no Brasil.
A região conhecida como Matopiba concentrou 66% da perda de vegetação nativa do bioma entre 2015 e 2025. Hoje, apenas seis dos 13 estados com território no Cerrado conservam mais da metade de sua vegetação nativa — o Piauí tem a maior proporção preservada (78,2%), enquanto São Paulo tem a menor (14,7%). O estudo aponta ainda que 301 municípios já não têm mais predominância de vegetação nativa em seu território, e o número de cidades com mais de 80% de cobertura original caiu de 624 para 225 no período analisado.
Terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação somam 7,5% da área do Cerrado, mas concentram 13,9% de toda a vegetação nativa remanescente do bioma — ainda assim, essas áreas protegidas perderam cerca de 500 mil hectares de vegetação desde 1985.