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Economia

Crise de refino na Rússia eleva preço do diesel no Brasil e na Europa

Redação · 25 de ago. de 2026

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Crise de refino na Rússia eleva preço do diesel no Brasil e na Europa

Queda nas exportações russas de diesel, afetadas por ataques a refinarias e restrições internas, aperta a oferta global e pressiona preços na Europa e no Brasil, que importa quase metade do combustível da Rússia.

Filas de combustível voltaram a se formar em postos de Moscou nas últimas semanas, um sinal de que a Rússia, apesar de continuar entre os maiores produtores mundiais de petróleo, perdeu parte da capacidade de transformar essa produção em combustíveis prontos para uso. O problema atinge principalmente a gasolina dentro do país, mas sua consequência mais relevante para o resto do mundo aparece no mercado de diesel.\n\nSegundo reportagem da CNN Brasil baseada em dados da consultoria Kpler e da agência Reuters, a origem do problema está nas refinarias, não nos poços de petróleo. Ataques ucranianos, paralisações operacionais e o aumento da demanda interna reduziram a capacidade russa de refino. Diante disso, o governo de Moscou optou por restringir as exportações de derivados para garantir abastecimento doméstico, medida que já foi prorrogada até janeiro de 2027, ainda que produtores diretos possam retomar parte das vendas externas a partir de setembro.\n\nOs números mostram a dimensão da queda: a Rússia, segunda maior exportadora mundial de diesel atrás apenas dos Estados Unidos, embarcava em média 817 mil barris por dia do combustível em 2025. Esse volume caiu para cerca de 400 mil barris diários em junho e para aproximadamente 234 mil nos primeiros dez dias de julho. Com menos diesel russo disponível, países compradores passaram a disputar cargas dos Estados Unidos, da Índia e de outros polos de refino, movimento que também pressiona a Europa, mesmo que o continente não importe derivados russos por via marítima desde 2023.\n\nEssa disputa ocorre em um momento em que o mercado já enfrenta tensões no Oriente Médio e problemas em refinarias ao redor do mundo. Em 30 de julho, o prêmio do gasóleo europeu de baixo teor de enxofre sobre o petróleo bateu recorde, e os preços do diesel na Europa acumulam alta superior a 70% desde fevereiro, segundo estimativas da Reuters.\n\nO Brasil sente esse efeito de forma direta. Dados da ANP mostram que o país importou 17,09 milhões de metros cúbicos de diesel em 2025, dos quais 8,04 milhões, cerca de 47%, vieram da Rússia, que se tornou um fornecedor competitivo em preço após 2022. Com menos disponibilidade dessas cargas, importadores brasileiros precisam recorrer mais aos Estados Unidos e à Ásia, concorrendo com compradores europeus pelas mesmas fontes.\n\nHá, no entanto, um amortecedor: a Petrobras reduziu em 85,2% suas importações de diesel no segundo trimestre e alcançou produção recorde de 3,903 bilhões de litros em julho, o que diminui a exposição imediata do país ao mercado externo. Ainda assim, o Brasil continua dependente de importações para equilibrar oferta e consumo, e fatores como câmbio, tributos e a política comercial da própria Petrobras podem apenas atenuar, não eliminar, a pressão vinda de fora.