Negociadores dos EUA, Ucrânia e países europeus se encontraram em Miami para montar proposta conjunta de paz. O encontro foi ofuscado pelo anúncio de Trump sobre compra de diesel russo, criticado por Zelensky.
Negociadores dos Estados Unidos, da Ucrânia e de países europeus se reuniram em Miami, na sexta-feira (9/10), para elaborar uma proposta conjunta de fim da guerra na Ucrânia, em mais uma rodada de pressão diplomática promovida por Washington. O encontro, no entanto, foi ofuscado por um anúncio feito por Donald Trump no mesmo dia: após conversar com Vladimir Putin, o presidente americano afirmou que a Rússia enviaria mais de 300 mil toneladas de diesel aos mercados americano e global de forma imediata, com outras 500 mil toneladas programadas para novembro.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos chegou a emitir uma licença temporária para a venda e a importação de diesel de origem russa, medida criticada por parlamentares americanos e pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Trump atribuiu a alta nos preços de combustíveis aos ataques ucranianos contra refinarias russas, ainda que o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã também tenha afetado as cadeias globais de energia.
O enviado americano Steve Witkoff classificou as conversas em Miami como construtivas e disse que trataram de caminhos para desescalar o conflito antes do inverno, com a participação do chamado E3 — França, Alemanha e Reino Unido —, da Comissão Europeia, da Otan e da própria Ucrânia. Entre os temas discutidos estavam segurança energética, exportação de grãos, garantias de segurança de longo prazo para Kiev e a reconstrução do país, incluindo sua eventual adesão à União Europeia.
A reunião ocorre em meio à intensificação dos ataques russos, como o bombardeio a um ônibus em Kramatorsk que matou 30 pessoas. As tentativas de mediação de Trump têm esbarrado nas exigências territoriais de Moscou, que quer o controle de todo o Donbass — incluindo áreas ainda sob domínio de Kiev —, enquanto Zelensky rejeita qualquer cessão de território. A Rússia ocupa hoje cerca de um quinto do território ucraniano desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022.
Com informações do Poder360.