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Focos de calor na Amazônia sobem 64% em um ano, mesmo com desmatamento em queda

Redação · 21/10/2026, 16:15

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Focos de calor na Amazônia sobem 64% em um ano, mesmo com desmatamento em queda

Focos de calor na Amazônia cresceram 64% em um ano, mesmo com o menor desmatamento em quase quatro décadas. El Niño deixa a floresta mais seca e piora a qualidade do ar em Manaus, que lidera o ranking nacional de poluição.

Os focos de calor na Amazônia aumentaram 64% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais de monitoramento de queimadas analisados pela CNN. O dado chama atenção porque ocorre justamente em um ano em que a Amazônia Legal registrou o menor índice de desmatamento em quase quatro décadas, o que reforça que desmatamento e queimadas são fenômenos distintos, com dinâmicas e causas próprias. O analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes explicou que o El Niño atual está forte e em fase de progressão, com pico estimado entre dezembro deste ano e janeiro de 2027. O fenômeno reduz a entrada de umidade proveniente do oceano Atlântico sobre a região amazônica, deixando a vegetação mais seca e facilitando a propagação do fogo. Segundo o especialista, porém, o clima não explica isoladamente todos os focos registrados, já que parte das queimadas tem origem criminosa ou é provocada por ação humana. A estiagem também compromete o combate aos incêndios: o nível mais baixo de rios e igarapés dificulta o deslocamento de equipes que dependem das hidrovias para chegar às áreas afetadas, além de reduzir o volume de água disponível para apagar as chamas. Os focos estão concentrados principalmente no leste da Amazônia, e a fumaça gerada já afeta a qualidade do ar em Manaus, que nesta quarta-feira (21) aparecia como a cidade com o ar mais poluído do país, seguida por Rio Branco. Dois dias antes, Belém também figurava entre as capitais mais afetadas pela fumaça. Diante do agravamento da crise, a Polícia Federal já abriu nove inquéritos para investigar a origem de incêndios no Amazonas, e o governo federal liberou R$ 3,5 milhões em recursos para municípios da região lidarem com os efeitos da seca e das queimadas.

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