El Niño e mudanças climáticas intensificaram os incêndios no Amazonas, com alta de 253% nas duas primeiras semanas de outubro. Fumaça fechou escolas e cancelou eventos em Manaus; 36 municípios decretaram emergência.
Incêndios florestais em áreas remotas da Amazônia aumentaram de forma expressiva nas duas primeiras semanas de outubro, impulsionados pelo El Niño, por mudanças climáticas e por atividade humana. Segundo o Censipam, foram registrados 1.679 focos de incêndio no Amazonas no período, alta de 253% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
A fumaça provocada pelas queimadas afetou a qualidade do ar em Manaus, cidade de mais de 2 milhões de habitantes, levando ao cancelamento de eventos ao ar livre e ao fechamento de escolas públicas nesta quarta-feira (14). Ao menos 36 municípios do Amazonas decretaram estado de emergência por conta dos incêndios.
Moradores de áreas próximas aos focos relatam dificuldade para respirar e problemas de saúde ligados à fumaça. Cientistas apontam que a chegada das chuvas, que normalmente alivia a seca em outubro, está atrasada este ano, em um dos episódios de El Niño mais fortes já registrados.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou o Amazonas e constatou incêndios dentro de áreas protegidas, o que, segundo o ministério, indica fogo posto de forma criminosa para abrir caminho ao desmatamento — prática comum na região, já que incêndios na Amazônia raramente têm origem natural. O governo federal enviou aeronaves e brigadistas ao estado no fim de semana para reforçar o combate às chamas.