Onda de protestos contra o custo de vida na França deixou neste fim de semana um manifestante morto, mais de 500 policiais feridos e cerca de 1.800 detidos. Macron deve se pronunciar à nação neste domingo à noite.
A onda de protestos contra o alto custo de vida e o sucateamento de serviços públicos que tomou a França neste fim de semana deixou um saldo mais grave do que o inicialmente registrado. Segundo informações do jornal O Tempo, com base em dados oficiais, ao menos um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os atos em Paris, mais de 500 policiais ficaram feridos e cerca de 1.800 pessoas foram detidas em todo o país.
O movimento, que começou cerca de um mês atrás como um protesto estudantil contra as condições precárias nas escolas de bairros populares, cresceu e passou a reunir reivindicações mais amplas contra a desigualdade, os cortes de gastos públicos e o aumento do custo de vida. No sábado (17), mais de 500 mil pessoas participaram de manifestações em dezenas de cidades, no que autoridades descreveram como um dos dias mais violentos registrados no país nos últimos anos.
Grupos atearam fogo à prefeitura histórica de Limoges, construção com 143 anos, parcialmente destruída. Em Bordeaux, manifestantes mascarados invadiram a residência do prefeito, e o Ministério do Interior afirmou que centenas de comércios foram danificados ao longo do dia; somente a rede de supermercados Carrefour teve 50 lojas atingidas, 20 delas saqueadas, com prejuízo estimado em dezenas de milhões de euros.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os atos de violência à "extrema esquerda" e a grupos criminosos, enquanto o ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos comerciantes afetados e alertou que quem causou os danos terá de arcar com os prejuízos. O presidente Emmanuel Macron deve fazer um pronunciamento à nação neste domingo (18), às 20h no horário local, em meio à pressão sobre seu governo às vésperas das eleições presidenciais do próximo ano. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump atribuiu a violência à imigração e defendeu o endurecimento de fronteiras.