Os EUA concluíram nesta quarta-feira (30) a retirada de suas tropas do Iraque, encerrando mais de duas décadas de presença militar no país. A saída, negociada ainda no governo Biden, gera temor de um vácuo de segurança que beneficie milícias ligadas ao Irã.
As últimas tropas americanas deixaram o território iraquiano nesta quarta-feira (30), pondo fim a mais de 20 anos de presença militar dos Estados Unidos no país. O movimento encerra um capítulo que começou em março de 2003, quando forças americanas invadiram o Iraque e derrubaram o ditador Saddam Hussein, dando início a duas décadas de instabilidade na região.
A retirada não é inédita: os EUA já haviam deixado o país em 2011, mas retornaram em 2014 para liderar a coalizão internacional de combate ao grupo terrorista Estado Islâmico, que havia tomado grandes porções de território iraquiano e sírio. Ao longo dos 23 anos de operações somadas, cerca de 4,5 mil militares americanos morreram no Iraque.
O acordo para esta segunda e definitiva retirada foi negociado em 2024, ainda durante o governo de Joe Biden, mas coube à atual administração de Donald Trump executar a saída — mesmo em meio a um momento de tensão entre Washington e Teerã por causa do programa nuclear iraniano.
A decisão preocupa analistas de segurança, que temem a formação de um vácuo capaz de fortalecer milícias apoiadas pelo Irã e de permitir um novo avanço do Estado Islâmico na região. Especialistas ouvidos por veículos internacionais lembram que vácuos de segurança se mostraram, nas últimas duas décadas, um dos fatores mais perigosos para a estabilidade do país.
As reações no Iraque e na região são divididas. O Irã e grupos aliados a Teerã comemoram a retirada como uma vitória política e estratégica. Já autoridades de segurança iraquianas manifestam apreensão sobre a capacidade das forças locais de manter a ordem sem o apoio militar americano que sustentou o país por mais de duas décadas.