O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou nesta quinta-feira que a Ucrânia vai retomar ataques a refinarias de petróleo russas, desafiando a trégua energética anunciada por Donald Trump e criticando a postura dos EUA no conflito.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quinta-feira (15) que o país vai retomar os ataques contra refinarias de petróleo russas, numa resposta direta à trégua energética anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Zelensky voltou a cobrar que os Estados Unidos deixem de favorecer o lado russo e passem a apoiar de forma mais efetiva o fim da guerra. A relação entre Kiev e Washington se deteriorou depois que Trump flexibilizou sanções contra Moscou em troca do fornecimento de diesel russo a mercados internacionais, incluindo o próprio território americano — acordo classificado por Zelensky como fraco e inaceitável, e também criticado por aliados europeus.
No fim de semana, Trump havia culpado os ataques ucranianos às refinarias pela alta nos preços do diesel e chegou a sugerir que a Ucrânia precisaria de um novo presidente. Em seguida, afirmou ao jornal Financial Times que o bloqueio às ofensivas havia sido suspenso, antes de anunciar, no domingo, um "cessar-fogo energético" entre os dois países — acordo que, segundo Zelensky, nem sequer havia sido comunicado a Kiev.
O apoio militar dos EUA à Ucrânia também está em xeque: autoridades ucranianas relataram restrições no uso do sistema Starshield, da SpaceX, o que compromete a defesa antiaérea e as operações com drones do país. Uma autoridade ucraniana não identificada afirmou à agência AFP que os Estados Unidos ameaçaram suspender o compartilhamento de dados de inteligência caso os ataques às refinarias não cessassem. O empresário Elon Musk rebateu a informação, dizendo que o Starshield é propriedade do governo americano e que cabe ao Exército e à Presidência dos EUA definir os limites de uso do sistema.
Do lado russo, o Kremlin confirmou que uma refinaria na cidade de Riazan foi atingida em um ataque de grande escala e classificou as ofensivas ucranianas como um obstáculo aos esforços de paz liderados pelos americanos. O episódio ocorre em meio a uma crise energética enfrentada por Trump, agravada pela guerra dos EUA contra o Irã, às vésperas das eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro nos Estados Unidos.
Com informações do jornal O Povo.