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Brasil chama embaixador na Argentina após Milei chamar Lula de "ladrão"

Redação · 21/10/2026, 07:19

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Brasil chama embaixador na Argentina após Milei chamar Lula de "ladrão"

O Itamaraty classificou como interferência inaceitável declarações do presidente argentino Javier Milei, que chamou Lula de "ladrão" e insinuou risco de fraude no 2º turno. Brasília chamou seu embaixador em Buenos Aires para consultas, a três dias da eleição.

O governo brasileiro reagiu nesta quarta-feira (21) a declarações do presidente argentino Javier Milei sobre a disputa presidencial brasileira, classificando os comentários como "tentativa inaceitável de interferência estrangeira". O Ministério das Relações Exteriores disse que Milei repete "mentiras" de quem perdeu a eleição de 2022 e tentou um golpe fracassado. A tensão começou depois que Milei, aliado declarado do candidato Flávio Bolsonaro (PL), chamou Lula de "ladrão" nas redes sociais na terça-feira (20). No X, o presidente argentino republicou um trecho de entrevista recente de Lula à televisão acompanhado de uma mensagem irônica sobre um suposto "golpe sujo" de campanha, em referência a especulações sobre fraude no segundo turno, marcado para domingo (25). Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas em Brasília — um gesto raro entre os dois países — e chamou o enviado argentino na capital brasileira para expressar repúdio formal às declarações. A rivalidade entre os dois líderes não é nova: Milei e Lula trocam acusações desde a eleição argentina de 2023, e o presidente argentino já havia chamado Lula de "ladrão" em julho, durante um ato de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Próximo da família Bolsonaro, Milei integra um grupo de líderes de direita da região — ao lado de aliados de Donald Trump — que venceram eleições recentes no Chile, na Colômbia e no Peru. Pesquisas mostram disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, que terminou na frente do presidente no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A poucos dias da votação final, o episódio diplomático se soma à lista de atritos que marcam a reta final da campanha.

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