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Economia
Brasil gasta 45 vezes mais com dívida do que precisaria para metas climáticas, diz relatório
Redação · 27/09/2026, 16:14

Relatório da ActionAid aponta que o Brasil destina US$ 437,6 bilhões ao serviço da dívida em 2026 — 45 vezes mais que o necessário para cumprir metas climáticas globais. O valor é 3 vezes maior que os gastos com educação e 8 vezes maior que os com saúde no país.
O Brasil vai destinar US$ 437,6 bilhões (cerca de R$ 2,32 trilhões) ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública em 2026, o equivalente a 40,8% da receita estimada do governo para o ano. O dado consta de um levantamento da organização internacional ActionAid, que cruza informações sobre endividamento público e financiamento climático em dezenas de países.
Segundo o estudo, esse montante é 45 vezes maior do que os US$ 9,6 bilhões que o país precisaria mobilizar para cumprir suas metas climáticas. A diferença também aparece na comparação com outras áreas do orçamento: o serviço da dívida brasileiro é cerca de 3 vezes maior que o investimento em educação e mais de 8 vezes superior ao gasto com saúde.
A ActionAid analisou a situação de 65 países considerados vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas e identificou um padrão semelhante ao brasileiro: em média, o serviço da dívida desses países é quase 25 vezes maior do que os recursos destinados a ações climáticas. Em alguns países africanos, mais de 80% da receita pública é usada para pagar dívidas, e há casos em que esse porcentual ultrapassa 100%, o que obriga os governos a tomar novos empréstimos apenas para cobrir compromissos antigos.
Diante do cenário, a organização defende três medidas: o cancelamento de dívidas consideradas insustentáveis, a suspensão de pagamentos por países atingidos por desastres climáticos e a substituição de empréstimos por doações no financiamento de ações de adaptação e mitigação às mudanças do clima.
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