Viajantes brasileiros estão deixando de comprar dólar só perto do embarque e passaram a adquirir a moeda aos poucos, ao longo dos meses, para pagar menos IOF e travar cotações melhores antes da viagem.
Uma mudança de comportamento está ganhando força entre os brasileiros que planejam viagens internacionais: em vez de trocar reais por dólares de uma só vez, dias antes do embarque, cada vez mais viajantes optam por comprar a moeda estrangeira gradualmente, mês a mês, ao longo do período de planejamento da viagem.
Especialistas do setor financeiro apontam três motivos principais para essa mudança. O primeiro é o preço médio: ao fracionar as compras em vários meses, o viajante se protege de oscilações bruscas do câmbio, evitando pagar um valor muito alto caso o dólar suba justamente na semana da viagem.
O segundo motivo é tributário. Quando o dinheiro é aplicado em produtos como contas internacionais ou investimentos em dólar até a data do embarque, a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cai de 3,5% para 1,1%, uma economia relevante para quem converte valores maiores.
Por fim, há o ganho de rentabilidade: em vez de deixar o dinheiro parado, muitos viajantes aplicam os recursos em produtos como Time Deposit em dólar, que rendem juros até a data da viagem, quando o valor é efetivamente utilizado.
A forma de comprar também mudou. O tradicional dólar físico em espécie vem perdendo espaço para soluções digitais, como contas internacionais (global accounts) e cartões multimoeda, que costumam oferecer cotação comercial — mais barata que a cotação turismo cobrada em casas de câmbio tradicionais. Ferramentas como alertas de queda do dólar, programas de pontos conversíveis em moeda estrangeira e cartões-presente com cashback também têm sido usadas para baratear o custo final da viagem.