A dívida bruta do governo brasileiro chegou a 82,9% do PIB em agosto, o maior nível em cinco anos, segundo o Banco Central. A alta mensal de 0,3 ponto percentual foi puxada pelos juros elevados e pela desvalorização do real.
A dívida bruta do governo geral brasileiro atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o maior patamar em cinco anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O indicador subiu 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Segundo o BC, o avanço foi puxado principalmente pela alta dos juros nominais, que responderam por 0,8 ponto percentual do crescimento da dívida, e pela desvalorização do real frente ao dólar, que contribuiu com 0,1 ponto percentual. Outros fatores, como o resultado primário, ajudaram a compensar parte da alta.
Desde dezembro de 2022, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o terceiro mandato e a dívida bruta estava em 71,68% do PIB, o indicador já subiu mais de 11 pontos percentuais. Somente em 2026, o avanço acumulado chega a 4,2 pontos percentuais.
O principal fator de pressão continua sendo o custo elevado da dívida: com a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, as despesas com juros somaram R$ 1,18 trilhão em 12 meses. O próprio Banco Central afirmou que a trajetória da dívida bruta representa "uma das principais preocupações do mercado" financeiro.
Projeções da equipe econômica indicam que a dívida deve continuar subindo até atingir um pico de 87,9% do PIB em 2029, para depois recuar gradualmente a 83,1% em 2036. Analistas de mercado, no entanto, mantêm uma visão mais pessimista sobre essa trajetória. A equipe econômica já havia assumido compromisso público de manter a dívida abaixo do patamar de 80% do PIB, meta que não foi cumprida.