A Polícia Federal encontrou mensagens mostrando que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, negociou com Daniel Vorcaro receber cotas de um jato e um helicóptero como parte de honorários de R$ 50 milhões. O escritório nega ter fechado o acordo.
A Polícia Federal identificou um novo contrato, ainda não assinado, entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, mensagens analisadas pelos investigadores mostram que a proposta previa o pagamento de R$ 50 milhões em honorários por meio da transferência de cotas de um jato executivo modelo Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1, além de R$ 10 milhões adicionais para reembolso de despesas com voos.
As negociações, segundo a investigação, começaram em maio de 2025 e as trocas de mensagens analisadas vão até julho daquele ano. Esse seria o segundo contrato identificado entre as partes: antes dele, a Polícia Federal já havia apontado um primeiro acordo, no valor de R$ 129 milhões, entre o escritório da advogada e empresas ligadas a Vorcaro, hoje investigado no âmbito do caso do Banco Master.
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que a proposta de pagamento com os veículos nunca chegou a ser formalizada e que "nada foi assinado" nesse sentido. A assessoria do ministro Alexandre de Moraes já havia negado anteriormente qualquer vínculo dele com os jatos e helicópteros ligados ao ex-banqueiro, depois que um vídeo mostrou o casal desembarcando de uma aeronave relacionada a Vorcaro.
O caso ganha repercussão adicional pela proximidade com o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, e pelo papel central que Moraes ocupa no noticiário político desde a prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.