O governo peruano apresentou regulamento que proíbe maquiagem, esmalte e cabelo tingido em escolas públicas, além de exigir cabelo curto para meninos. A medida busca combater o assédio, mas é criticada por organizações feministas.
O governo do Peru, chefiado por Keiko Fujimori, apresentou um regulamento que proíbe maquiagem, esmalte e cabelo tingido em escolas públicas de ensino fundamental e médio. A proposta, divulgada na segunda-feira (12), também exige cabelo curto para os meninos e estabelece diretrizes para o comprimento das saias do uniforme, que devem ter, segundo o ministro da Educação José Antonio Chang, "medida adequada".
Segundo o governo peruano, a justificativa da medida é combater o assédio e a violência sexual nas escolas. Dados do Ministério da Educação mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, a plataforma oficial de denúncias SíseVe recebeu mais de 11,7 mil registros de violência escolar, dos quais 2.059 eram de violência sexual.
O regulamento também restabelece notas de disciplina, autoriza a expulsão de alunos em casos de infrações graves e proíbe o uso de celulares em sala de aula, salvo autorização do professor. Fujimori anunciou o pacote durante visita a uma escola na periferia de Lima, afirmando que é preciso restabelecer a ordem nas salas de aula.
Organizações feministas peruanas criticaram a proposta. O Centro da Mulher Peruana Flora Tristán argumenta que controlar a aparência das estudantes não previne agressões sexuais nem outras formas de violência escolar. O texto ainda será publicado no diário oficial "El Peruano" e ficará sujeito a objeções por 30 dias, com previsão de entrar em vigor até o final do ano.