Houthis lançaram novo ataque a Riad nesta segunda e ameaçaram resposta "dolorosa" aos EUA. Alerta atrasou jogo de Cristiano Ronaldo pelo Al Nassr, que venceu por 3 a 1. Petróleo chegou a US$ 105 o barril em meio à escalada no Oriente Médio.
O grupo houthi, alinhado ao Irã, atacou novamente a capital saudita Riad na noite desta segunda-feira (12), horas depois de ameaçar retaliação "rápida e dolorosa" contra os Estados Unidos caso Washington intervenha militarmente na guerra do Iêmen. Segundo a agência AFP, o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que um míssil balístico atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid; a coalizão liderada pela Arábia Saudita, por sua vez, disse ter interceptado o projétil antes que causasse qualquer impacto na capital.
O alerta de emergência levou moradores a buscar abrigo e atrasou a partida entre o Al Nassr, de Cristiano Ronaldo, e o uzbeque Neftchi Fergana, pela Liga dos Campeões da Ásia. Apesar da interrupção, o time saudita venceu por 3 a 1, com gol do português. A ofensiva houthi também incluiu, segundo o grupo, um ataque com drone à base aérea de Khamis Mushait, no sul do país.
A escalada ocorre dias depois do ataque mais letal em uma década contra o reino saudita, no último sábado, que matou ao menos 13 pessoas e feriu mais de 300 no mesmo aeroporto de Riad, segundo reportagem da revista Exame. O Aeroporto Rei Khalid segue com operações suspensas, e companhias aéreas internacionais cancelaram voos em massa em um período de alto fluxo de peregrinos a Meca e Medina. O ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, reconheceu a pressão sobre a infraestrutura do maior exportador de petróleo do mundo; o barril chegou a custar US$ 105 em reação à crise.
No plano diplomático, o Irã disse estar "profundamente preocupado" e se ofereceu para mediar as negociações entre Riad e o grupo houthi, proposta que a Arábia Saudita confirmou ter recebido, mas ainda não aceitou. Combates na região em torno de Taiz, no Iêmen, deixaram mais de 60 mortos em 24 horas, enquanto os houthis reivindicam o controle estratégico do Estreito de Bab-el-Mandeb, rota essencial para o comércio marítimo global.