O deputado Sóstenes Cavalcante (PL) pediu à PGR proteção para a lobista Roberta Luchsinger, que acusa Lula de mentir ao negar contato com ela. Ela diz que fará delação. Planalto nega qualquer interlocução com a lobista.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, enviou na noite deste sábado (17) um ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo proteção para a lobista Roberta Luchsinger. No documento, ele solicita a inclusão dela no Provita, programa federal de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas, a abertura de um procedimento investigatório criminal para apurar quem a estaria ameaçando, e novas apurações sobre possíveis crimes envolvendo o presidente Lula, o filho dele, Fábio Luís "Lulinha" Lula da Silva, e o líder do governo no Senado, Camilo Santana (PT-CE).
O pedido foi feito depois que Luchsinger, em entrevista à CNN Brasil na noite de sábado, disse que, se algo acontecer a ela ou às filhas, a responsabilidade será de Lula. Segundo reportagem do Metrópoles, o ofício do deputado cita a fala do presidente como um fator que teria colocado a lobista em risco iminente.
Na entrevista, Luchsinger chamou Lula de "canalha", "covarde" e "grande mentiroso" e afirmou que pretende fechar um acordo de delação premiada, dizendo que não vai poupar ninguém, incluindo o filho do presidente. Ela também afirmou que Lulinha se reunia com frequência com o presidente da Mota-Engil, construtora portuguesa que venceu a concessão do túnel Santos-Guarujá.
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou que Lula "desconhece inteiramente os fatos relatados" pela lobista, que nunca manteve contato com ela e que não há nenhum contrato do governo federal em nome dela. O Planalto também criticou o momento da divulgação das acusações, a poucos dias do segundo turno das eleições.
Luchsinger é lobista e já foi filiada ao PT, partido pelo qual disputou sem sucesso uma vaga de deputada estadual em São Paulo em 2018. Ela e Lulinha são investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal, entre eles um sobre suspeita de tráfico de influência envolvendo o Ministério da Saúde. As acusações contra o presidente e seu filho ainda não foram comprovadas e são tratadas pela reportagem como alegações das partes envolvidas.