Novos ataques atingiram instalações de energia na Rússia e na Ucrânia neste domingo, rompendo a trégua energética anunciada por Trump. Há mortos dos dois lados e milhares de famílias ficaram sem luz.
Rússia e Ucrânia voltaram a trocar ataques contra instalações de energia neste domingo (18), dias depois de o presidente americano Donald Trump ter anunciado uma trégua no setor energético entre os dois países. Segundo reportagem da agência France-Presse publicada pelo jornal O Povo, drones ucranianos atingiram um terminal de petróleo em São Petersburgo, que pegou fogo em grandes proporções.
O governador da região, Alexander Beglov, informou que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas no ataque. Um centro logístico da varejista russa OZON também foi atingido, além de cerca de dez prédios residenciais e duas casas danificados. A defesa aérea russa afirmou ter abatido 145 drones na região de Leningrado, e cerca de 20 mil pessoas ficaram sem eletricidade. Segundo a agência estatal russa Tass, foi o maior ataque com drones contra a região desde o início da guerra; o Ministério da Defesa russo disse ter neutralizado ao todo 1.015 drones ucranianos em cerca de quinze regiões do país.
Do lado ucraniano, o presidente Volodimir Zelensky disse que a Rússia bombardeou instalações elétricas em quatro regiões — Vinnytsia, Jytomyr, Khmelnytskyi e Odessa —, deixando dezenas de milhares de famílias sem energia. Pelo menos duas pessoas morreram e doze ficaram feridas, incluindo duas crianças. Kiev afirma que os ataques à infraestrutura energética russa são uma resposta aos bombardeios de Moscou contra seu próprio sistema elétrico, numa tentativa de enfraquecer um setor que financia o esforço de guerra russo.
O episódio ocorre em meio a tensões entre Washington e Kiev: Trump criticou Zelensky por atacar refinarias russas, argumentando que isso eleva o preço dos combustíveis, e na sexta-feira (16) assinou um decreto isentando a Rússia de novas sanções americanas, decisão criticada pelo governo ucraniano. Dias antes, Estados Unidos e Rússia haviam fechado um acordo para suspender sanções e permitir a importação de diesel russo. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que "o regime de Kiev continua resistindo", mas que isso não muda o rumo dos acontecimentos.