Trump assinou ordem executiva que anula sanções ao setor energético russo dois dias antes de entrarem em vigor. Moscou comemorou e Zelensky criticou a decisão, dizendo que ela recompensa Putin e reduz a pressão para encerrar a guerra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que derruba uma lei aprovada pelo Congresso americano que previa sanções amplas ao setor energético russo, dois dias antes de a medida entrar em vigor. A decisão foi comemorada por Moscou neste sábado (17).
A lei, batizada com o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham, permitiria a Trump impor tarifas de até 100% aos maiores compradores de petróleo e gás russos, como Índia e China. Ela também tinha como alvo o presidente russo Vladimir Putin, altas autoridades do Kremlin, o setor de defesa da Rússia e a chamada "frota fantasma" de petroleiros usada para contornar sanções.
Na ordem executiva, Trump justificou a decisão citando os "interesses nacionais dos Estados Unidos" e anulou as medidas previstas na legislação.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky lamentou a decisão em redes sociais, afirmando que o recuo recompensa Putin, reduz a pressão sobre a Rússia para encerrar a guerra e pode incentivar novos ataques.
Kirill Dmitriev, enviado especial de Putin que vem negociando diretamente com os americanos Steve Witkoff e Jared Kushner sobre o conflito, chamou a suspensão das sanções de um momento "importante e histórico", e disse que aplicar a lei causaria graves danos à economia americana e aos mercados globais.
O recuo de Trump ocorre após um acordo entre Washington e Moscou para que a Rússia abasteça os mercados americano e internacional com diesel, em troca de alívio nas sanções, e a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro, em meio à insatisfação popular com os preços dos combustíveis.
As relações entre Kiev e Washington se deterioraram desde o acordo do diesel. Zelensky criticou o pacto, e forças ucranianas voltaram a bombardear refinarias russas em retaliação a ataques de Moscou, o que irritou Trump. Na sexta-feira (16), o presidente ucraniano esteve em Bruxelas para pedir aos aliados europeus mais de US$ 70 bilhões adicionais para a guerra em 2027; o presidente francês Emmanuel Macron disse ser cedo para fixar um valor, mas afirmou que os europeus não abandonarão a Ucrânia.