A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE mostrou queda de 0,1% no volume de serviços em agosto, abaixo do esperado pelo mercado. Economistas revisaram para baixo as projeções de PIB do terceiro trimestre após o dado.
O volume de serviços no Brasil recuou 0,1% em agosto, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE divulgada nesta quarta-feira (14). O resultado ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,5% no mês. Na comparação com agosto do ano passado, o setor cresceu 0,6%, também abaixo da previsão de 1,3%.
O número reforça a leitura de uma economia perdendo força no fim do terceiro trimestre. Na avaliação do banco Inter, o indicador acumulado em 12 meses caiu para 2,2%, o menor ritmo desde agosto de 2024. Os serviços prestados às famílias, como alojamento e alimentação, ainda cresceram 2,1%, mas outros segmentos recuaram.
Para a XP, a surpresa negativa veio principalmente dos setores de transporte e "outros serviços", possivelmente afetados pelo custo do combustível. A casa revisou sua estimativa para o PIB do terceiro trimestre de -0,08% para -0,15% na comparação trimestral, e reduziu também a projeção para o IBC-Br de agosto, que será divulgado pelo Banco Central na sexta-feira.
Bancos como C6 e Bradesco ainda preveem o PIB brasileiro perto da estabilidade no trimestre, mas mantêm a previsão de crescimento em torno de 1,7% para 2026. Analistas citam o mercado de trabalho apertado e a renda real elevada como fatores que ainda sustentam o consumo das famílias, mesmo com os juros altos pressionando os gastos discricionários.