Com 103,5 milhões de ocupados, o Brasil atingiu recorde de emprego em agosto e a taxa de desemprego caiu a 5,3%. O salário médio subiu 3,7% no ano, mas o avanço acima da produtividade preocupa economistas e pode dificultar cortes na Selic.
O mercado de trabalho brasileiro fechou agosto com números recordes: 103,5 milhões de pessoas ocupadas e taxa de desemprego de 5,3%, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado, no entanto, caminha na direção contrária ao ritmo da economia, que cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre, depois de uma expansão de 1,1% no primeiro.
O rendimento médio real dos trabalhadores subiu 3,7% em 12 meses, chegando a R$ 3.777, enquanto a massa de renda total alcançou R$ 385,6 bilhões, alta de 4,8% no período. O problema, segundo analistas, é que esse aumento de salários está superando os ganhos de produtividade da economia, o que ajuda a explicar por que a inflação de serviços já acumula 5,47% em 12 meses.
O quadro fica mais contraditório quando se olha para as finanças das famílias: mesmo com renda maior, o endividamento chegou a 49,9% da renda familiar em julho, com comprometimento de 28,7% do orçamento só com o pagamento de dívidas. A inadimplência em empréstimos pessoais também subiu, para 6,0% em agosto.
Para economistas consultados pelo mercado, o mais provável não é um salto do desemprego, mas uma desaceleração gradual nas contratações. A XP, por exemplo, projeta taxa de desemprego de 5,6% até o fim de 2026 e de 6,5% ao final de 2027. O consenso é que, sem ganhos de produtividade, será difícil sustentar o crescimento de salários e da economia sem manter os juros em um patamar elevado.