Em sabatina ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (15), Lula disse apoiar reduzir a maioridade penal a 16 anos em crimes hediondos, fora da PEC da Segurança, e criticou o diretor-geral da PF por participar de festa custeada por Vorcaro em Londres.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (15) de uma sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, dentro do ciclo de entrevistas com os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições de 2026. Lula concorre contra Flávio Bolsonaro (PL).
Questionado sobre segurança pública, o presidente afirmou ser favorável a reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, mas defendeu que o tema seja discutido separadamente da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado. "Sou favorável a diminuir para 16 anos, mas não a discutir isso nessa PEC", disse. Horas antes, o senador Rogério Marinho (PL-RN) havia apresentado emenda para reduzir a maioridade penal dos atuais 18 anos para 16, com possibilidade de aplicação a partir dos 14 em situações específicas — proposta que não constava do texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Lula também criticou publicamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por ter participado de um evento em Londres, em 2024, custeado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso por fraude financeira. Segundo o presidente, já repreendeu o delegado pelo episódio: "Ele sabe que eu repreendi", disse, acrescentando que a explicação dada por Rodrigues não o convenceu e que "não precisava ninguém ter ido" à festa. Lula fez questão de destacar a independência da corporação, chamando Rodrigues de "um extraordinário delegado" e afirmando que ele "não é ligado a mim".
Na entrevista, o presidente também reconheceu dificuldade em comunicar os resultados do governo à população. "Quando as coisas dão certo sou eu que ganho, quando não, sou eu que perco", afirmou, dizendo lamentar não ter conseguido fazer a população compreender as ações da gestão. Ele voltou a classificar como "civilizada" sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e atribuiu à ampla base de apoio no Congresso — formada por partidos de diversos espectros, à exceção do PL — a aprovação de medidas como a reforma tributária.
A sabatina ocorreu na mesma semana em que o Congresso promulga mudanças na escala de trabalho 6x1 e faltam poucas semanas para o segundo turno das eleições presidenciais, no fim de outubro.