Rebeldes houthis atacaram o aeroporto de Dammam e um campo petrolífero na Arábia Saudita, deixando ao menos três mortos. O Brent subiu 2,81%, a US$ 111,88, maior nível desde maio, com EUA retirando diplomatas da região.
Os rebeldes houthis, grupo ligado ao Irã, atacaram nesta quarta-feira (21) alvos na Arábia Saudita, incluindo o aeroporto civil de Dammam, onde pelo menos uma pessoa morreu e oito ficaram feridas. Um drone também atingiu um campo petrolífero no país, deixando mais duas vítimas fatais. Em resposta à escalada, a Saudi Aramco orientou funcionários a deixar a sede em Dhahran e passar a trabalhar remotamente.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou a saída de parte dos diplomatas e de familiares de funcionários de missões americanas na Arábia Saudita, com planos de retirar também parentes de outras representações na região do Golfo. A tensão se espalhou: foram relatadas explosões no sul do Irã, e a Guarda Revolucionária iraniana informou que quatro embarcações usadas no transporte irregular de petróleo pegaram fogo no norte do Golfo, enquanto outras três teriam atingido minas no Estreito de Ormuz. Na Líbia, o fechamento de uma válvula do oleoduto que liga os campos de Hamada e Tahara ao terminal de Zawiya reduziu a produção do país.
Com o mercado pressionado pela escalada no Oriente Médio, o petróleo Brent fechou em alta de 2,81% nesta quinta-feira (22), a US$ 111,88 o barril, após tocar uma máxima de US$ 112,55, o maior nível desde 18 de maio. O WTI avançou 2,1%, para US$ 99,19, depois de bater US$ 100,07 logo na abertura. Segundo o banco Morgan Stanley, o Oriente Médio despachou cerca de 17 milhões de barris por dia na semana anterior, volume que não foi suficiente para conter a alta dos preços.
O analista Tamas Varga, da consultoria PVM Oil, afirmou que não se espera uma redução das tensões antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o que deve manter os preços do petróleo elevados por mais tempo. Ele atribuiu parte da pressão também aos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz. Em meio à crise, o governo Trump autorizou o empréstimo de cerca de 1 milhão de barris da reserva estratégica de óleo para aquecimento, e o Parlamento Europeu aprovou adiar em três anos as novas regras sobre emissões de metano ligadas a importações de petróleo e gás. Paralelamente, o enviado dos EUA Steve Witkoff se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin em São Petersburgo, e o Kremlin informou que o russo concordou em retomar as negociações de paz sobre a Ucrânia em breve. Informações da BPMoney.