A Polícia Federal identificou cerca de R$ 80 milhões em emendas parlamentares destinadas a Belford Roxo (RJ) na gestão do deputado estadual eleito Márcio Canella, preso na Operação Unha e Carne, mas não comprovou uso ilegal do dinheiro.
A Polícia Federal identificou que a prefeitura de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, recebeu cerca de R$ 80 milhões em emendas parlamentares de comissão durante a gestão do então prefeito e hoje deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), preso nesta semana na oitava fase da Operação Unha e Carne.
Segundo os investigadores, os recursos foram registrados como "emendas de liderança" do União Brasil na Câmara, sem indicar nominalmente quais parlamentares as destinaram. Uma anotação encontrada no celular de Canella — "Emendas / 20 Pedro 20 Mota" — levou a PF a relacionar o valor aos deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota, ambos do União Brasil, embora os documentos não comprovem que os dois tenham efetivamente indicado o dinheiro.
Os registros não detalham para quais obras ou serviços os recursos foram usados, nem mostram quanto de fato chegou a ser repassado ao município. A PF investiga Canella como suposto operador político de uma organização criminosa que teria usado empresas do setor de combustíveis para movimentar e ocultar recursos ilícitos, mas os documentos sobre as emendas não comprovam que esse dinheiro tenha sido desviado ou usado para financiar o esquema.
A defesa de Canella, representada pela advogada Sheila Lustoza, afirmou que o deputado confia na Justiça e que tudo será esclarecido. Na operação desta semana, a PF prendeu seis pessoas e apreendeu veículos de luxo, armas, cerca de R$ 90 mil em espécie, joias e equipamentos eletrônicos.