A Polícia Federal pediu ao STF 90 dias para concluir o inquérito sobre repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Delator aponta fraude de US$ 12,3 milhões em fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro.
A Polícia Federal pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 90 dias do inquérito que investiga repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", biografia não autorizada do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a extensão do prazo é necessária para concluir laudos contábeis em andamento e para aguardar resposta de um pedido de cooperação internacional feito aos Estados Unidos, que deve trazer registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido parte dos recursos.
Entre os documentos analisados pela corporação estão depoimentos do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator no caso do Banco Master, que relatou à PF o envio de US$ 12,3 milhões, entre fevereiro e setembro de 2025, à Havengate Development, fundo de investimentos criado nos Estados Unidos para receber recursos destinados ao filme. Freixo afirma ter sido ressarcido no Brasil com cerca de R$ 90 milhões, segundo ele oriundos do Banco Master, e diz ter agido a pedido de Vorcaro para contornar problemas numa conta internacional ligada ao cunhado do banqueiro. A PF, porém, encontrou um documento assinado pela empresa de Freixo que menciona expressamente o financiamento do filme, o que contradiria sua versão de que não sabia o destino do dinheiro — por isso, investigadores pediram para ouvi-lo novamente.
O inquérito chegou ao STF depois que o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a apuração de um pedido de recursos que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, teria feito a Vorcaro para financiar as filmagens — revelação feita originalmente pelo site The Intercept Brasil. Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que o dinheiro teve origem privada; ainda assim, foi incluído como investigado no caso em julho.