A Polícia Federal deflagrou a Operação Backbone contra o Comando Vermelho, que forçava moradores a pagar pela "internet do tráfico" em comunidades do Rio. Mãe e irmão do cantor Oruam foram presos; Justiça bloqueou R$ 558 milhões em bens do grupo.
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira a Operação Backbone contra uma estrutura ligada ao Comando Vermelho (CV) suspeita de controlar, pela força, o fornecimento de internet em diversas comunidades do Rio de Janeiro. Até a atualização mais recente, 19 pessoas haviam sido presas. Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, criminosos armados cortavam cabos e ateavam fogo em caixas de distribuição de provedores legítimos e concorrentes para impedir reparos, forçando moradores e comerciantes a contratar a chamada "internet do tráfico". Provedores autorizados que quisessem operar nessas áreas precisavam pagar mensalidades à facção. Registros internos obtidos pela investigação indicam que, em um mês, as cobranças de internet chegaram a representar mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
Entre os presos estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso desde 1996 e atualmente custodiado em presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS), além de sua mulher, Márcia Gama, e do filho do casal, Lucas Santos Nepomuceno — identificados pela imprensa como mãe e irmão do cantor Oruam. De acordo com a PF, os lucros do esquema eram repassados à família por meio de empresas de eventos e publicidade, usados para comprar imóveis de luxo em dinheiro e também convertidos em criptomoedas.
A operação cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. O STF também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens de 40 pessoas e 42 empresas apontadas como fachada do esquema. Parte dessas empresas pode ser suspensa, e a PF vai pedir à Anatel a cassação de licenças de telecomunicações ligadas ao grupo. Os investigados podem responder por dominação de território por organização criminosa armada, além de extorsão, sabotagem de serviço público, operação clandestina de telecomunicações e lavagem de dinheiro.