Levantamento da CNI com 1.701 empresas mostra que juros altos continuam sendo o principal obstáculo ao crédito, citados por 76% das que buscaram financiamento de curto e médio prazo. Exigência de garantia imobiliária aparece em seguida.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um levantamento mostrando que os juros altos continuam sendo o principal obstáculo enfrentado pelas empresas industriais brasileiras na hora de buscar crédito. A pesquisa, batizada de Sondagem Especial, ouviu 1.701 empresas entre os dias 3 e 12 de agosto sobre as condições de acesso ao crédito entre fevereiro e julho deste ano.
Entre as empresas que tiveram dificuldade para conseguir financiamento de curto e médio prazo, 76% citaram os juros elevados como principal barreira; para linhas de longo prazo, com mais de cinco anos, o percentual foi de 69%. Apesar de continuarem no topo da lista, os números caíram em relação a 2025, quando eram de 80% e 71%, respectivamente.
A analista da CNI Maria Virgínia Colusso explicou que a queda da taxa básica de juros leva tempo para se refletir no custo final do crédito oferecido às empresas. Depois dos juros, a exigência de garantias imobiliárias foi o segundo fator mais citado, apontado por 33,4% das empresas para linhas de curto e médio prazo e por 31,5% para as de longo prazo, seguida pela burocracia e pela insuficiência de prazos de carência.
O estudo mostra ainda que quase metade das empresas (49,9%) nem chegou a buscar crédito de curto ou médio prazo no período avaliado, e que a taxa de frustração entre as que tentaram subiu de 20% para 24,7% nessa modalidade e de 33% para 37,2% no longo prazo. Pequenas e médias empresas enfrentam mais dificuldade do que as grandes para conseguir financiamento de longo prazo. Entre as medidas mais sugeridas pelas próprias empresas para facilitar o acesso ao crédito estão a redução de custos tributários e administrativos e a ampliação de linhas públicas de financiamento. As informações são da Agência Brasil.