A Meta informou ao TSE que as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro recebem tratamento igualitário nas redes sociais da empresa. A resposta foi enviada ao ministro Marco Aurélio Bellizze após o Tribunal exigir explicações sobre suposto favorecimento de conteúdo.
A Meta apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta formal afirmando que as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) recebem o mesmo tratamento no Facebook, no Instagram e no WhatsApp. O documento foi enviado ao ministro Marco Aurélio Bellizze, relator de uma ação movida pela campanha petista contra a empresa.
A disputa começou depois que o PT reclamou de suposta limitação no alcance de publicações favoráveis a Lula e de falhas no impulsionamento de anúncios da campanha. Em seguida, a campanha de Flávio também recorreu ao TSE, alegando prejuízos semelhantes ao seu conteúdo eleitoral. Na semana passada, o plenário do tribunal confirmou, por unanimidade, uma decisão que obrigava a Meta a garantir tratamento equivalente às duas candidaturas. A empresa não cumpriu o prazo inicial de 72 horas, o que levou Bellizze a cobrar novos esclarecimentos sob risco de multa diária de até R$ 1 milhão.
Segundo a petição, obtida pelo InfoMoney, a Meta rebateu os principais pontos levantados pelo TSE. A empresa diz que publicações feitas em coautoria são tratadas como uma peça única pelo sistema, o que tornaria impossível limitar a distribuição em um perfil e liberar em outro. A companhia também criticou a exigência de revisão humana prévia de anúncios políticos, alegando que a medida atrasaria aprovações de campanha e poderia forçar suspensões temporárias de anúncios eleitorais.
Sobre testes feitos pelo PT em 13 de outubro, que mostraram a ferramenta Meta AI recusando pedidos de imagens envolvendo Lula enquanto permitia conteúdo favorável a Flávio, a empresa reconheceu uma falha na forma como o sistema identificava os candidatos e afirmou já ter corrigido o problema. Em análise preliminar, Bellizze reconheceu a falha técnica, mas não encontrou indícios de que a diferença de tratamento fosse deliberada ou sistemática.
O TSE exige agora que a Meta comprove as medidas adotadas e mantenha critérios uniformes entre as campanhas até o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A resposta da empresa segue em análise na Justiça Eleitoral.