Zelensky comemorou a retomada do compartilhamento de inteligência militar dos EUA com a Ucrânia, após reunião em Oslo com enviados de Trump. O americano voltou a cobrar um acordo com a Rússia para encerrar a guerra.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky comemorou nesta terça-feira (20) a retomada do compartilhamento de inteligência militar dos Estados Unidos com a Ucrânia, que volta a permitir que Kiev receba alertas antecipados sobre possíveis lançamentos de mísseis balísticos russos.
Zelensky falou em coletiva de imprensa em Oslo, na Noruega, após se reunir com o enviado americano Steve Witkoff e, por videoconferência, com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro também contou com a participação dos líderes da Noruega e da Finlândia.
Em Washington, Trump voltou a pressionar o ucraniano por um acordo de paz com a Rússia, afirmando que Zelensky "tem que chegar a um acordo". Um dia antes, o republicano já havia sugerido que talvez fosse hora de outra pessoa negociar em nome de Kiev.
A aproximação ocorre após uma semana de atritos entre os dois países, provocados por um acordo entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin para o fornecimento de diesel ao mercado americano, medida criticada por Kiev por, segundo o governo ucraniano, beneficiar Moscou. A Ucrânia também acusou os EUA de restringir recursos tecnológicos usados em operações militares no front.
Depois de conversar com o secretário de Estado americano Marco Rubio, Zelensky disse esperar avanços sobre o uso da rede de satélites Starlink e o fornecimento de novos mísseis antiaéreos Patriot. Rubio, que está em visita à Índia, negou que os Estados Unidos estejam prejudicando intencionalmente a Ucrânia e disse que o país precisa equilibrar os compromissos com diferentes parceiros.
Segundo o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, Witkoff deve viajar nesta quarta-feira (21) a São Petersburgo, na Rússia, com propostas elaboradas por negociadores americanos e europeus, em um movimento que pode abrir caminho para uma reunião entre os líderes dos dois países. Também foi mencionada a possibilidade de um encontro em novembro entre Trump, Putin e o presidente chinês Xi Jinping.
Zelensky reafirmou que qualquer negociação sobre o futuro da Ucrânia só será aceitável com a presença do país à mesa. Questionado sobre o andamento do conflito, ele negou que a Ucrânia esteja perdendo a guerra, mas reconheceu o custo do confronto: "Estamos perdendo vidas e tempo", disse.
Enquanto as negociações diplomáticas avançam, ataques russos continuam na linha de frente: nesta terça, bombardeios deixaram ao menos sete mortos na região de Kiev e em Kramatorsk, no leste ucraniano, em meio à preocupação crescente com ataques contra infraestrutura de energia dos dois lados às portas do inverno.
Com informações de O Tempo e agências internacionais.