Em Oslo, Zelensky se reuniu com enviados de Trump e propôs uma cúpula entre Ucrânia, EUA e Rússia. Disse estar "pronto" para negociar a paz, defende cessar-fogo energético e acusa Moscou de manter ataques.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se reuniu nesta terça-feira (20) em Oslo, na Noruega, com Steve Witkoff, enviado especial do presidente americano Donald Trump, e teve a participação à distância de Jared Kushner, genro e assessor de Trump. No encontro, Zelensky propôs a realização de uma cúpula trilateral reunindo os líderes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia para discutir o fim da guerra.
Segundo o site português Observador, a proposta deve ser levada aos negociadores russos nesta quarta-feira (21), durante uma visita de Witkoff a São Petersburgo. Ao lado do primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que também participaram das conversas, Zelensky afirmou estar "pronto" para negociar a paz e declarou: "Vamos ver o que Putin tem a dizer".
Os dois líderes nórdicos classificaram as conversas como um momento de "avanços substanciais", sem detalhar o conteúdo das negociações. Zelensky reafirmou apoio a um cessar-fogo no setor energético, mas voltou a acusar a Rússia de manter ataques à infraestrutura ucraniana mesmo durante as tentativas de negociação.
O presidente ucraniano disse ainda ter tido uma conversa "positiva" com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o fornecimento de sistemas Starlink, mísseis interceptores e compartilhamento de informações de inteligência — item restabelecido após falhas que haviam comprometido a interceptação de mísseis russos. Os dois devem voltar a conversar na quinta-feira (22). Também foram discutidas garantias de segurança para a Ucrânia inspiradas no artigo 5º da Otan, que prevê defesa mútua entre os países-membros.
Zelensky foi recebido ainda no Palácio Real da Noruega e se reuniu com líderes do parlamento norueguês e com o prefeito de Oslo. Ele reiterou que a Ucrânia "não está perdendo a guerra", mas que o país continua perdendo vidas em razão dos ataques russos contínuos.